terça-feira, 16 de dezembro de 2008
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Os Amantes do amigo Rubem ;)

Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós dois esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender.
Mas o gesto era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando. Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse.
Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador. Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos, quietos. Um segundo, dois - e a campainhada porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele - fosse quem fosse - nos lançaria um olhar, diria alguma coisa - e então o nosso mundo estaria invadido.
No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho. O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos jamais.
Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.
O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois, apenas.
Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
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No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares de edifícios - que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho?
Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar. O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas.
Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro. Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluia num encantamento constante.
Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha. Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde se filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: "Meus Deus, seus olhos estão esverdeando".
Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio par que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.
Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam?
Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos. Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago.
Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação.
E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta, e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre - senti que ela me disse isto num instante =, num olhar entratanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo não os via assim em plena luz) um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.
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Rapunzel
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17:48:00
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Hiperlink vital...

Início de tarde, ligo o rádio...
Tocando Sexo, Algemas e Cinta-liga, ouço.
A mãe não mais está ali para reclamar, mas deve continuar cantando no ritmo errado. E ela cantando no ritmo errado me lembra um cachecol, que lembra a Redenção, que lembra Porto Alegre, que lembra Princesa Isabel (e um sorriso discreto de passado resolvido), que lembra UFRGS, que lembra aeroporto, que lembra partida, que lembra saudade. Esta lembra distância, que lembra nordeste, que me causa repúdio. Repúdio este que acaba com o fim da música.
Coloco um CD, passo umas músicas...
Ciel Errant, ouço.
Música bonitinha, que lembra alegria, que lembra quase todo um ano, que lembra dezoito, que lembra música, que lembra chuva, que lembra frio, que lembra futuro, que lembra país frio, que lembra Europa, que lembra saudade, que lembra uma caixa, que lembra papéis, que lembram cartas que não enviarei, que lembram listras, que lembram cores vibrantes despropositadas.
E este despropósito lembra o inverso do resto.
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Rapunzel
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18:35:00
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Copiando Veríssimo...

... porque quem sabe, merece ser copiado.
O que você pensa sobre o uso de algemas?
-Acho que depende. Há circunstâncias em que o uso de algemas se justifica, outras não.
-Por exemplo?
-Bom, tomemos o meu caso. Eu tenho sempre um par de algemas à mão, o que não significa que vá usá-las. Na hora é que eu decido. É uma coisa muito subjetiva. E depende muito do tipo da pessoa, claro. Do subjugado.
-Você estuda o subjugado antes de decidir.
-Não é uma questão de estudar, porque muitas vezes nem dá tempo. É preciso decidir logo que forma de submissão será usada, para não perder tempo. E muitas vezes o próprio subjugado é que pede.
-O quê? O subjugado tem escolha?
-Às vezes. A maioria gosta de ser surpreendida.
-Não sei se eu estou...
-É como bolinha japonesa. Você precisa ter sensibilidade para saber se é o caso de sugerir bolinhas japonesas ou não. Mas se ele pedir bolinhas japonesas, então já é meio caminho andado, por assim dizer.
-Bolinha japonesa?!
-Ou chicote. Ou cera quente. Ou o cone do Marquês.
-Espera ai. Acho que está havendo um mal entendido...
-O cone do Marquês muita gente nem sabe que existe. Você precisa propor, mostrar como funciona e perguntar se o cara prefere com ou sem estrias.
-Obrigado.
-Quanto às algemas, o mais prático é sacudi-las na frente dele para ver qual é a reação. Se ele disser "Sim, sim!", você prende os pulsos dele na cabeceira da cama com as algemas e...
-Obrigado!
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Rapunzel
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16:18:00
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quarta-feira, 9 de julho de 2008
Como identificar um poser mal sucedido...

-Qual a banda que mais gostas?
-Iron Maiden.
-Qual a música que mais gostas?
-Sweet Child O'Mine
-O que, na tua opinião, te caracterizaria como "do metal"?
-Meu cabelo.
-O que pensas das mulheres metaleiras?
-Metaleira é pra comer e dispensar.
-O que pensas sobre as pessoas que não ouvem metal?
-Fedem, nem gente são.
Esse é um poser metal :)
hahahahah
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Rapunzel
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23:59:00
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